CREPÚSCULO
É hora. Chegou por fim o momento
Que me quebra o pensamento
De todo o real, que implora
Que grita, que brada ao vento
Servindo-me de alimento
Sem cessar a sua aurora
Céu que de nuvens se reveste
Despindo-o o vento de leste
Com vagar e sedução
E de ósculos em vão
Pelo Sol que não aquece.
Olho o laranja celeste.
Crepúsculo. De pai Adão
Ora que cai o Orvalho
São lágrimas que o céu emana
São pedaços de uma chama
Pousam em mim que não valho
Toda a dor que me inflama
E que me deixa em retalho,
Prostrando meu ser na lama.
Arde...Arde toda a minha alma
Sinto o sangue palpitar
E deixo de inspirar
Todo o ar que não me acalma
Sou homem que não tem palma
Sou monstro que quer rasgar
Sou o cruel despertar
De toda a sanguinária amálgama.
Vampiro sem ter perdão
Que bebe sem ter vontade
Sou crepúsculo que invade
O dia sereno e vão
Que esconde toda a verdade
De minha a transformação.
É hora... Não peço mais nada agora
O crepúsculo que acabe
E que irrompa a escuridão

